07
Set
11

CARTA ABERTA DE MURICI-AL deixou o Ministro da Educação procupado

Maceió, 13 de agosto de 2011.
Ao Ministério de Educação, com cópias para a reitoria do Instituto Federal de Alagoas
e para a prefeitura de Murici.
CARTA ABERTA DE MURICI-AL
É louvável a iniciativa do Ministério da Educação em manter a proposta de
democratização do ensino. Sem dúvida as políticas de expansão, tanto das
Universidades quanto dos Institutos Federais são muito bem vindas, principalmente
numa sociedade em que determinados bens, inclusive os culturais, são divididos de
forma tão desigual. Entretanto, em alguns casos, essa política de expansão pode só
agravar a situação, principalmente na forma como tem sido apresentada, pelo menos
na realidade de Alagoas. Aqui, o processo de democratização do ensino técnico e
tecnológico tem passado por dramas que, para uns são irrelevantes, mas para outros,
por demais danosos. Falamos aqui principalmente do aluno que, ao ingressar numa
instituição de ensino técnico e tecnológico na esperança de profissionalizar-se,
depara-se com uma realidade que não condiz com o perfil de uma instituição de
ensino ligada à rede federal de educação técnica e tecnológica. Por exemplo, a
infraestrutura de alguns dos recém instituídos campi do Instituto Federal de Alagoas
vai de encontro às Diretrizes Curriculares para a Educação profissional. Não se pode
falar em integração de saberes sem pelo menos, uma biblioteca ou um laboratório de
informática. Tampouco se pode falar na modalidade integrada se os cursos se iniciam
sem os laboratórios das disciplinas específicas de cada curso. Os profissionais e
estudantes do Campus avançado do IFAL em Murici AL, cansados de estarem sujeitos
a uma situação que não se limita apenas a problemas estruturais, redigem essa carta
denúncia. Feita a várias mãos e que trata cada problema enfrentado num lugar onde a
expansão está muito aquém da promessa.
1. CONDIÇÕES INSALUBRES DE TRABALHO
1.1. Falta de banheiros
O Campus Avançado do Instituto possui apenas dois precários banheiros e
três vasos sanitários, dos quais dois são no banheiro feminino e apenas um no
banheiro masculino. A capacidade atual do instituto é de 160 alunos por turno, talvez
pelos percalços a serem apresentados aqui, cada turno apresenta atualmente algo em
torno de 120 alunos, dado o grande índice de evasão. São aproximadamente 7
professores por turno, além de dois técnicos, duas pedagogas e o grupo de gestão
composto por mais 4 pessoas. Um total de 135 pessoas que dividem os dois
banheiros por turno.
É costume dizer que os números não mentem, e que a maior exposição da
realidade que pode se fazer é essa, a numérica. No nosso caso os números não
apresentam a realidade calamitosa em que se encontram os alunos e professores no
que diz respeito a suas necessidades fisiológicas. Cada caso deve ser considerado
isoladamente, dado que os alunos não são números e os professores e funcionários
não são dígitos. Na realidade do nosso prédio existem três pessoas com necessidades
específicas, dois alunos e um professor. Nossos banheiros, que não dispõem de vasos
sanitários suficientes, obviamente não são adaptados para eles. Em uma das tantas
situações constrangedoras para todos nós, um professor, com dificuldades para
caminhar, precisou andar um quilômetro, sob o sol do meio dia, até a prefeitura da
cidade, para usar um banheiro que ainda assim não era o ideal para ele. Todos nós
que ouvíamos o testemunho do professor sentíamo-nos humilhados, desmerecidos, e
tínhamos certeza de que nosso sentimento não se compararia em nada ao sentimento
vexatório e doloroso do nosso colega. Muitos professores precisaram procurar casas
de pessoas conhecidas em Murici, os que não têm se expõem a situações até mesmo
jocosas, como a que passou um de nossos professores tendo que ir ao motel da
cidade fazer uso do banheiro. Por muita sorte somos funcionários de uma pequena
cidade onde o custo de vida não é tão alto quanto nos grandes centros, mesmo assim,
o uso desse banheiro, para a concretização de uma necessidade fisiológica a qual
todos estão sujeitos, mas nem os animais são impedidos de realizar, custou ao
professor R$ 17,00. O problema do banheiro para os homens é ainda menor do que o
das mulheres. Professoras e pedagogas moram em Maceió, a 50 quilômetros do
campus avançado de Murici, no período menstrual passam um dia inteiro longe de
casa, sem um banheiro e nem um chuveiro. Não há um caso específico que possamos
contar sobre as mulheres, pois muito mais discretas devem sofrer com o silêncio que a
vergonha obriga, no entanto, ter histórias como as já apresentadas para mulheres é
um absurdo que ainda tentamos evitar que ocorra.
1.2. Falta de água
Os banheiros são um problema sério e aparente, mas não o único. Embora
os banheiros sejam poucos e mal estruturados, frequentemente eles passam o dia
inteiro inutilizáveis por falta de água. A água barrenta que chega ao instituto também é
um fator lamentável que alunos e professores são obrigados a suportar e que podem
ter consequências sérias à saúde de todos, especialmente dos alunos que dispõem de
apenas um bebedouro que recebe água de qualidade sanitária duvidosa. Como cada
problema estrutural gera consequências que são problemas ainda maiores, foi
complicado para a gestão decidir se esse era um problema institucional ou pessoal.
Uma crise se estabeleceu para decidir se nos dias de falta de água deveríamos
suspender as aulas ou oferecer água mineral para os alunos. Dada a constância da
falta de água, a primeira opção ficou impraticável e tendo em vista o aumento do
número de alunos, a última opção se tornou inviável. Hoje trabalhamos dias e mais
dias sem água para os alunos beberem, para a limpeza dos banheiros e para nossa
própria higienização. Toda essa problemática se dá pela falta de um reservatório de
água, que serviria até para ajudar na decantação dos detritos que ficam em suspensão
na água barrenta.
1.3. Carga horária dos professores
Outro ponto relevante é a carga horária excessiva em sala de aula.
Professores de algumas disciplinas, como matemática e física, estão com carga
horária de 24h, enquanto outros estão em situação iminente das já apresentadas.
Dessa forma, torna-se impossível para os mesmos se dedicarem às atividades de
pesquisa e extensão, atividades essas indissociáveis do ensino, segundo o Ministério
da Educação. Portanto, a regulamentação da carga horária docente no âmbito do IFAL
é urgente, para atender os objetivos propostos pelo MEC quanto à qualidade do
ensino. Quanto ao Campus Murici, ressaltamos a carência de mais professores em
várias disciplinas.
1.4. Falta de Alimentação para os alunos
No tocante à merenda escolar, temos alunos carentes e que necessitam de
uma alimentação fornecida pelo Instituto, algo que não vem acontecendo. Segundo o
FNDE a lei 11.947/2009 estabelece a expansão Programa Nacional de Alimentação
Escolar (PNAE) para toda a rede pública de educação básica e de jovens e adultos.
Mesmo que esse direito não se aplique ao aluno da rede técnica e tecnológica a
necessidade é real, principalmente nos campus da expansão que estão localizados
em municípios com elevados índices de pobreza. Tendo em vista a imprevisão da
construção de nossa sede, o problema poderia ser solucionado com um auxílio
alimentação destinado aos alunos.
2. PROBLEMAS ESTRUTURAIS SÉRIOS
Os problemas listados revelam a dura situação que alunos e professores
do Campus do IFAL em Murici enfrentam diariamente e salientam a necessidade
urgente da construção da sede própria a fim de prover condições apropriadas para
formação de cidadãos com ensino técnico de qualidade, aptos a influenciar de maneira
significativa a realidade do município e entornos.
2.1. Inconstância da Energia e falta de materiais
O IFAL cedeu parte dos materiais que necessitamos para o
desenvolvimento das atividades do campus, no entanto ainda existem problemas com
relação à climatização das salas de aula, uma vez que Murici é uma cidade de clima
quente e, durante as aulas, o calor torna-se insuportável e prejudica o rendimento dos
professores e alunos. Poucos são os condicionadores de ar novos; os antigos, cedidos
pelo IFAL, quebram por estarem muito velhos e ambos quebram por razão das quedas
de energia, corriqueiras na cidade. Os equipamentos que faltam deixam de ser
requisitados pela pouca confiança que temos na instalação e distribuição elétricas.
2.2. Laboratório como galpão
Aulas práticas no campus avançado Murici não acontecem. O espaço
físico destinado ao laboratório de Química e Biologia serve como um depósito e
amontoa material empoeirado. Material que varia de livros a papéis higiênicos que
pode se perder com o mofo do período chuvoso. Os professores responsáveis pelo
laboratório até agora não conseguem saber que material será enviado ao laboratório e
quando, ou se, isso se dará. Diversas indagações foram feitas à reitoria e esta também
não conseguiu responder sobre estes materiais permanentes. Muitos alunos
comentam que o Instituto não é muito diferente da escola municipal de onde vieram. A
comparação nos faz sentir que a expansão não cumpre nesse momento sua proposta
por completo em Murici.
2.3. Laboratório de Informática
Tal laboratório é imprescindível para lecionar aulas de informática básica,
pois exige-se que grande parte da carga horária seja destinada a aulas práticas. Não
há como transmitir conteúdos como utilização de editores de texto, planilhas
eletrônicas e internet somente com aulas teóricas. O laboratório de informática não
possui quantidade de computadores em número suficiente para atender a todos os
alunos por turma e, mesmo que a aquisição de novos computadores fosse
providenciada, não existe espaço físico, instalação elétrica e infraestrutura de rede.
2.4. Biblioteca
A inexistência de um espaço físico destinado a uma biblioteca no campus
tem resultado na não aquisição bibliográfica essencial ao auxílio discente, limitando-os
aos propedêuticos enviados pelo Ministério da Educação. Diante disso, também há a
necessidade de contratação de um/a bibliotecário/a.
2.5. Educação Física
Também ressaltamos a ausência de um espaço físico para as práticas de
Educação Física, visto que, sem adequação espacial as aulas são ministradas sempre
no campo teórico, dentro da sala de aula.
3. RESTRIÇÕES
3.1. Impossibilidade de melhora no Campus Avançado
Quando a Prefeitura Municipal de Murici se dispôs em receber o
INSTITUTO FEDERAL de ALAGOAS como unidade de educação federal, a mesma
estabeleceu um convênio com este onde se comprometeu em efetivar algumas ações
em contrapartida temporária para que o Instituto pudesse funcionar de forma
provisória no município.
Entre os itens citados no convênio estão: CONCESSÃO DE ESPAÇO
PARA FUNCIONAMENTO, INFRA ESTRUTURA ADEQUADA, MANUTENÇÃO
PREDIAL (obras, reformas, etc.), LIMPEZA E HIGIENE e SEGURANÇA. Desde o
início das atividades do campus em Murici, estes itens ou não foram cumpridos ou
deixam, e muito, a desejar em seu funcionamento adequado. Nos primeiros dias só
existiam salas de aulas, tínhamos que dividir todos os espaços (banheiros, sala de
professores, pátio, etc.) com a comunidade de alunos da escola municipal de forma
que o prejuízo era para todos. Diante dessa realidade, nossa luta naquele momento,
era conseguir o mínimo da infra estrutura prometida no convênio, e lentamente
algumas reivindicações foram atendidas depois de várias visitas à prefeitura e
solicitação através de documentação oficial (construção de banheiros para os alunos,
instalação de forros nas salas de aulas). Outras até hoje continuam na promessa
(como por exemplo, a construção de banheiros para os docentes, colocação das
caixas para ar condicionado, tratamento da água fornecida no bebedouro dos alunos,
revisão de instalações, etc.). Vale salientar que não deveríamos estar cobrando nada
disso, pois o convênio estabelecido previa esse apoio ao IFAL.
Por outro lado, tentávamos cobrar a Reitoria através das Pró-Reitorias
como PRDI e a PRAP, encontrar soluções diretas sem esperar a resolução que não
encontrávamos junto a Prefeitura de Murici. Algumas coisas foram feitas como a
colocação de brita no espaço em frente a entrada do IFAL para diminuir a quantidade
de lama na área, compra de fios e equipamentos elétricos para agilizar a iluminação
dos espaços e colocação de equipamentos elétricos variados, compra de tinta para
pintar o espaço do IFAL (cujos pintores da prefeitura queriam nos cobrar pelo
trabalho). Quanto à resposta dada pelos responsáveis pela expansão, nos diziam que
deveríamos insistir com os pedidos junto a prefeitura, pois o IFAL não poderia “investir”
em um prédio que não pertence ao Instituto. Destacamos também que a Reitoria
realizou pelo menos uma reunião com as autoridades municipais de Murici junto com a
direção Geral do Campus e assinaram o comprometimento com o convênio
estabelecido.
Enfim, continuamos entre a cruz e a espada. Cobramos dos responsáveis
municipais e as respostas são lentas ou nulas. Comunicamos ao IFAL e nos
relembram: o convênio existe, contatem a prefeitura. Até quando estaremos nessa
situação? Sinceramente, não suportamos mais aguardar a resposta.
3.2 Função de campus, condição de campus avançado
O Campus Avançado do IFAL em Murici funciona de forma diferente dos
outros Campus Avançados. Tivemos esse ano a metade do orçamento dos outros
campus da expansão que funcionam com o mesmo número de turmas do nosso (R$
750.000,00 – setecentos e cinquenta mil reais). Somos Campus Avançado do Campus
de Satuba e deveríamos realizar aulas práticas nos laboratórios de lá, entretanto
existe uma distância de 45 km entre as duas cidades o que inviabiliza que sejam
realizadas aulas práticas com a frequência necessária. Qualquer aula demandaria
uma articulação e mobilização para transportar os alunos que dispenderia um dia
inteiro e anularia a possibilidade de aula dos demais professores. Além de tudo, o
Campus Satuba não dispõe de laboratórios e insumos suficientes, que possam ser
usados por todos os alunos de ambos os campus. Então, encontrar o momento exato
em que as aulas possam ser paradas em Murici, que o transporte esteja disponível e o
Campus Satuba libere seus laboratórios é uma coincidência, que em quase um ano de
funcionamento, ainda não aconteceu.
Diante de tudo apresentado, nós, professores, técnicos, dirigentes e
representantes dos alunos assinamos e encaminhamos essa carta para que se tome
conhecimento da grave problemática. Que cada apresentação de problema se torne
uma reivindicação de melhora do Campus Avançado do IFAL em Murici, e para que se
cumpra as condições mínimas exigidas num ensino público de qualidade.


0 Responses to “CARTA ABERTA DE MURICI-AL deixou o Ministro da Educação procupado”



  1. Deixe um Comentário

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


AGENDA

JANEIRO/2014

04 - Reunião das Entidades do Serviço Público, em Brasília/DF

05 - Marcha de Abertura da Campanha Salarial 2014 dos SPFs, em Brasília/DF

06 - Seminário sobre Dívida Pública, em Brasília/DF

07 - Plenária do Fórum de Entidades do Serviço Público, em Brasília/DF

13 - Reunião da CNS, em Brasília/DF

21 - Prazo final para realização das assembleias para eleição de delegados do 28º CONSINASEFE e para discussão da greve

22 a 23 - 120ª PLENA do SINASEFE, em Brasília/DF

NOVO SITE DO SINASEFE-PA

Vídeos

Fotos

Setembro 2011
S M T W T F S
« Ago   Out »
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
252627282930  

Arquivos

Diretoria Executiva – Biênio 2013/2015 – Gestão Ação e Luta

Coordenação Geral
Antônio Vitorino de Morais
Acácio Tarciso Moreira de Melo
Carlos Alberto Nobre da Silva

Secretário Geral
Cledson Nahum Alves

Secretário Adjunto
Luiz Otávio Monteiro Barroso

Tesoureiro Geral
Waldemir Gonçalves Nascimento

Tesoureiro Adjunto
Bartolomeu José de Barroso Junior

Secretário de Formação Política e Sindical
José Maria Cardoso Sacramento

Secretario de Imprensa e Divulgação
Maria Grings Batista

Secretario de Assuntos Legislativos e Jurídicos
Valderino Assunção Souza

FALE CONOSCO

TWITTER

Estatísticas do Blog

  • 70,897 Visitantes

Acessos no dia de hoje

política

%d bloggers like this: